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Caraguatatuba
16 Julho 2024

Um ensaio sobre nosso papel nos destinos do País

Durante os séculos XVII e XVIII, a Europa viu surgir um movimento intelectual, filosófico e cultural, que pregava em sua essência a valorização da razão em contrapartida ao modelo de estado e política predominantes à época. A legitimação da razão como fonte de autoridade, incluía a defesa de ideais como a liberdade, o progresso, a tolerância, o governo constitucional e o distanciamento entre a igreja e o estado.

O iluminismo trazia uma ruptura com a Monarquia Absolutista dominante, visando o progresso da sociedade e do indivíduo. Os pensadores do movimento defendiam o uso da ciência e da razão como fonte de luz da humanidade, usando do questionamento lógico em tudo o que era possível em busca da verdade, como bem descrito na obra do filósofo francês René Descartes intitulada “Discurso do Método”.

Dentro deste universo novo, o homem passava a deter o controle do seu destino, fazendo uso da razão para compreensão de sua natureza, criando oposição ao pensamento religioso existente – porém sem a destituição da divindade (Deus), visto que muitos iluministas não se consideravam ateus. No Iluminismo, Deus está presente no próprio homem e na natureza, ideia que reduzia a importância de uma intermediação institucionalizada.

Não é surpresa que temos presenciado cada vez mais a aceleração no desenvolvimento humano através da sobreposição de ideias retrógradas, por novas e melhores ideias a partir o Iluminismo.

Essa visão da “Iluminação” humana nos traz a reflexão sobre nosso comportamento nos dias de hoje, visando a construção de um “eu” do amanhã diferente e melhor que o meu “eu” de ontem.

Outro aspecto que vêm à luz é a relação direta entre o Iluminismo e o Progressismo, e estes com nosso comportamento. Não há educação, evolução e mudança, sem razão e sem progresso.

É importante notar que, historicamente, o Progressismo anda de mãos dadas com o ideário Iluminista. Afinal, para que serve o cidadão se não para inspirar e contribuir com a construção de sua sociedade e de um mundo melhor?

Pois bem, se buscamos um futuro melhor se há progresso, como ficam nossas tradições?

Esse é outro ponto que vem chamando a atenção de muitos, principalmente pelas contraposições ideológicas que ganharam palco no mundo todo nos últimos anos inclusive aqui no Brasil. Vale ressaltar que em uma democracia é permitido pensar e agir, de forma livre e desimpedida, como bem entender! E isso nunca deve ser questionado, seja por qualquer fonte ideológica existente. Sem o homem livre, não há prosperidade.

Há relevante importância na dissociação do tradicionalismo e do conservadorismo, uma vez que, apesar do primeiro inspirar o segundo, representam coisas diferentes. Enquanto o tradicionalismo atua na manutenção da essência da tradição, porém estando aberto a adequações e inovações, que o próprio tempo vivido impõe, o conservadorismo se apoia na ideia de tradição para confrontar e contrapor mudanças e adaptações necessárias, buscando a constante manutenção do Status Quo, e de seus privilégios.

Apoiando-se na história da humanidade de um modo geral, estamos muito mais próximos do Progressismo com respeito às tradições, do que do Conservadorismo. Haja vista que nossa vida de ontem é diferente da de hoje em muitos aspectos. Quem conserva, se mantem igual em todos os aspectos, não se permitindo mudar ou evoluir, por consequência não ajuda na transformação da sociedade, uma vez que não permite a si mesmo ser diferente.

Dadas as reflexões apresentadas devemos nos questionar: Qual é então o nosso real papel nesse Século XXI?

Este talvez seja um dos principais questionamentos que todos nós devemos passar a fazer daqui por diante. Em vários aspectos, a começar por coibir a formação de castas e “crostas” ditatoriais em nossa sociedade, que buscam cravar ser uma classe “superior”, pautada na conservação temporal. Como homens livres, somos filhos da humanidade e servidores do interesse coletivo. Não há sentido em existir se for para extinguirmo-nos em nós mesmos. Existir simplesmente por existir.

Como cidadãos, temos que encontrar razão na nossa evolução pessoal e em nosso papel na construção de uma sociedade melhor e mais justa!

Convido a você que me lê nesse momento, para juntos buscarmos escrever nosso papel na história de nossa sociedade, fazendo a real diferença, derrubando dogmas pela luz da razão e construindo um País melhor.

“Adaptação do texto de Cesar Gomes Bisetto, meu filho”

 

Cesar Jumana