24.9 C
Caraguatatuba
14 Julho 2024

Sete de Setembro

Sete de Setembro

Para alívio da maioria de nós e talvez, frustração dos que davam como certo o mergulho do Brasil no autoritarismo nesta terça-feira, as manifestações do Sete de Setembro em apoio ao governo federal, especialmente os atos de Brasília e São Paulo, transcorreram de forma majoritariamente pacífica. Com exceção de um pequeno incidente envolvendo manifestantes que tentaram furar um bloqueio na Praça dos Três Poderes, vimos apenas algumas bombas de gás lacrimogênio e muitos cartazes com propostas absurdas que atentavam contra a democracia.

A se destacar ainda, o não comparecimento dos presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal, cujas ausências se devem a não apoiarem os atos antidemocráticos propostos pelo presidente Jair Bolsonaro.

A presença popular que foi grande, mas muito menor que o estimado pelos financiadores e organizadores do evento, não foi composta de baderneiros, mas de brasileiros, em sua maioria pessoas “abastardas”, a quem não interessa um País mais justo para todos. Querem apenas manter seus privilégios e conservar a classe dos menos favorecidos como seus súditos e servidores. Para eles, pobre não pode ter carro, viajar ou usar o mesmo elevador.

Diante das manifestações desta terça, há duas percepções errôneas. A primeira delas é simplesmente considerar que essa manifestação represente a maioria do povo brasileiro. A grande maioria com certeza preferiu não participar de um confronto o que poderia justificar uma intervenção miliar e a outra, é a de considerar que o presidente possa não parar de agredir o estado democrático de direito, prejudicando ainda mais o País.
Também agora, não há como ignorar que, além dos que foram às ruas em apoio ao presidente, há muitos outros, a grande maioria, que mantêm grande insatisfação quanto ao futuro das liberdades democráticas no Brasil e quanto aos excessos recentes cometidos pelo presidente.

Esses são aqueles que assistem diariamente à degradação da imagem de nosso País no exterior e que padecem com a falta de emprego, da alta da inflação, do preço dos alimentos, do preço do gás e energia.

Muitos ainda indagam sobre a falta de planejamento desse desgoverno que não soube atuar diante da pandemia e da crise energética.

O país padece de uma cegueira coletiva, pois 23% de sua população ainda acredita que o problema não seja do presidente, mas sim de poderes constitucionais como o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional.

São essas duas instituições que ainda conseguem manter o equilíbrio e preservar nossas leis, e a impedir que atos fascistas sejam praticados por Bolsonaro e alguns militares.

Não se pode ler a participação significativa neste Sete de Setembro como uma carta branca para que Jair Bolsonaro tome qualquer atitude que saia das já famosas “quatro linhas da Constituição”.

No passado, políticos já quiseram fazer crer que seus votos eram uma espécie de respaldo para que pudessem fazer de tudo no Planalto, inclusive depredar as instituições e submeter o Estado a eles. Mas, assim como votação massiva não autoriza nenhum presidente, nem sua família, a saquear o país, o povo na rua também não autoriza nenhum líder a tomar atitudes que causem ruptura democrática.

Por mais que haja defensores dessa ruptura entre os manifestantes, esta minoria não pode ser entendida como a voz predominante nos atos de terça-feira.

O brasileiro em sua grande maioria, que sentia orgulho de usar o verde e amarelo, quer respeito às liberdades democráticas, mas também quer vencer a pandemia, quer deixar a inflação para trás, quer a estabilidade que traz a confiança necessária para investimentos, geracão de emprego e renda, para o Brasil voltar a crescer.

E isso só será possível se o presidente, protagonista das rusgas recentes, for capaz de baixar as armas, o que até agora não ocorreu e que provavelmente, continuará não ocorrendo, já que não tem a cultura, nem a inteligência necessária para aquilatar a real dimensão do que faz e de suas consequências.

 

Cesar Jumana