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Caraguatatuba
17 Julho 2024

Para Bolsonaro só sobra partido de aluguel

Como o presidente só aceita integrar um partido se puder ser o mandachuva, encontra grandes dificuldades a menos de um ano das eleições. Para especialistas essa demora encarece o custo das negociações.

Depois de não conseguir criar o próprio partido, Bolsonaro não esconde mais a possibilidade de se filiar a uma legenda política já existente para as eleições no ano que vem. No entanto, tem encontrado dificuldades nas negociações pela exigência de querer ser o chefe das agremiações. Estruturados, os partidos resistem em abrir mão de tudo o que construíram simplesmente para acomoda-lo.

Recentemente seu filho o senador Flávio Bolsonaro anunciou sua desfiliação do Republicanos para ajudá-lo nas negociações. Flavio quer estar na mesma legenda do pai.

No momento, a sigla mais próxima de contar com os Bolsonaros entre os seus filiados é o “PL”, mas as manifestações contra nos últimos dias, parecem ter inviabilizado essa pretensão e já geraram o adiamento de sua filiação.

Outra possibilidade que parece já ter sido descartada foi a do “PP”. A agremiação tem importantes aliados do chefe do Executivo no Congresso Nacional, como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL); e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido e um dos defensores do mandatário na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid.

Jogavam a favor do “PP” o fato de Bolsonaro já ter sido membro do partido no passado e a articulação, feita por Lira e Nogueira ao longo de 2020, para que o governo conseguisse construir uma base de sustentação no Parlamento com o Centrão, cujo objetivo é aprovar matérias de interesse do Planalto e blindar o mandatário de qualquer processo de impeachment que possa ser aberto no Congresso.

A verdade é que quanto mais ele adiar a decisão, mais vai encarecer o preço político dos partidos. Como Bolsonaro está em rítimo de urgência, qualquer negociação terá um custo maior. Ou seja, os partidos tentarão obter mais verba ou indicações para órgãos do governo.

Também é certo que ter o presidente em suas fileiras representa poucos votos em troca de um desgaste político muito grande para os que querem se reeleger.

Nesse quadro parece que só sobrará aos Bolsonaros algum partido de aluguel.

Cesar Jumana