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Caraguatatuba
23 Julho 2024

Chega de votar em bandido por dinheiro

Chega de votar em bandido por dinheiro

Texto de autoria do Dr. João Lucio e publicado pelo Jornal Noroeste News edição 943 de 12 de maio de 2016

Pessoas que me conhecem sabem que eu fui radialista durante quase dez anos nas três principais emissoras da cidade de Caraguatatuba, e apresentava programas jornalísticos.
A minha indignação em relação à corrupção sempre foi notada já que eu tratava desses assuntos com certa severidade.
Uma frase que eu sempre falava, não conseguia dos ouvintes a credibilidade que eu esperava encontrar, mas eu fazia questão de repeti-la sempre. “Não sou jovem, mas tenho certeza que ainda vou ver o Brasil livre dos corruptos”.
Na rua, eu ouvia críticas que chegavam ao ponto de intitular-me de sonhador, romântico, e até de bobo por acreditar em Papai Noel, diziam eles.
Tinha até um advogado que exerce função pública de grau elevado que achava que eu estava perdendo o meu tempo em me preocupar tanto com o combate à corrupção. Hoje o chefe dele está para ser preso e ele deve achar que eu não estava tão fora assim dos meus sentidos.
É verdade que o poder dos políticos eleitos pelo voto estava totalmente contaminado e as investigações policiais, especialmente a operação denominada de “lava jato”, desenvolvida pela polícia federal, estão mostrando que era isso mesmo, e que parecia impossível mudar o trágico quadro da ladroagem nacional. Isso dava aos meus ouvintes de rádio a certeza de que nunca seria possível combater a tantos corruptos.
Talvez, na minha condição de advogado, além de economista e jornalista, eu estivesse conseguindo ver que a justiça ainda estava viva e poderia ser o grande instrumento da salvação nacional.
Não deu outra, e o Supremo Tribunal Federal assumiu o seu dever de salvador da pátria com medidas que estão recolocando a política brasileira nos eixos.
O governo federal exercido pela Dilma e o PT- Partido dos Trabalhadores, não resistiu à pressão das ruas e o assédio do poder legislativo, e acabou ferido de morte com um processo de “impeachment” que se não tem a sua legalidade absolutamente defensável, não resistiu ao assédio dos deputados e dos partidos de oposição que se uniram para derrotar e derrubar a presidente.
Sem entrar no mérito da questão, pode-se entender que o enfraquecimento do poder da presidente é problema conjuntural que ela não conseguiu administrar ou não quis, ou não conseguiu faze-lo e o resultado é o seu afastamento do cargo.
O fato é que a presidente não conseguiu satisfazer a vontade dos deputados e senadores e por isso deixou de receber o apoio político de que necessitava para seguir governando. O seu poder tornou-se insustentável.
No mesmo momento que a presidente estava sendo afastada do cargo pelo poder legislativo, o presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha foi afastado da presidência e do mandato de deputado federal, pelo Supremo Tribunal Federal, que se apresenta como última instância da esperança da nação brasileira.
Com a saída do presidente da câmara, fato nunca ocorrido antes na história desse país, como diria o Lula que também está sofrendo constrangimentos por conta de acusações de abuso de poder, ou de equívocos no poder, a política brasileira atinge um estágio importante na chamada limpeza ambiental da politicagem sem limites.
Ao que parece, não vai parar por ai, e o povo brasileiro parece estar sentindo certo alívio vendo crescer a esperança. Entretanto, como cautela e caldo de galinha não fazem mal, melhor esperarmos os próximos capítulos dessa belíssima novela que se escreve na história do Brasil, cuja constituição federal diz que “o poder emana do povo e será exercido por representantes eleitos pelo voto direto e secreto”.
O que se deseja é que o brasileiro deixe de eleger bandidos, a começar pelas eleições de prefeitos e vereadores a serem realizadas neste ano de 2016. Se aprenderem a eleger vereadores e prefeitos decentes, estarão dando início a um processo de expurgo ou de defecção eleitoral, que vai criar no futuro novos deputados e demais gestores de uma política digna para todos nós.
O povo tem o poder de decretar o fim da era dos cinquenta reais por voto.

 

Cesar Jumana